Curiosidades

O milagre chileno: o sucesso dos vinhos do Chile

22 outubro 2018
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Você é apreciador do vinho chileno? Descubra como em pouquíssimo tempo, o Chile se tornou uma grande potência vitivinícola.

Se considerarmos que o negócio dos vinhos finos, de terroir, é movimentado há apenas 25 anos no Chile, é surpreendente constatar o sucesso alcançado em tão pouco tempo.

Além de conquistar alta qualidade com seus exemplares, o país é o nono maior produtor de vinhos do mundo e principal exportador das Américas – e dá sinais claros de que não pretende parar por aí.

Para isso, investe em políticas de baixos impostos, valoriza a sustentabilidade nas vinícolas e se dedica incansavelmente à identificação das melhores regiões para cultivar seus vinhedos, explorando técnicas de vinificação tradicionais e modernas. Sem contar a excepcional condição geográfica, que favorece a qualidade do cultivo.

Vinho chileno = excelente custo e benefício

O Chile consegue produzir rótulos com excelente relação preço e qualidade por ser um país privilegiado em termos de clima e de localização geográfica para a produção de uvas de qualidade, diferentemente do que acontece, por exemplo, na Borgonha ou na Serra Gaúcha, que passam apertos para produzir.

Há regularidade de amplitude térmica, horas de sol necessárias e frio na medida certa. Isso faz com que eles mantenham o volume de produção ano a ano, elaborando vinhos de vários estilos e preços.

Claro, também podemos destacar a política de baixos impostos aplicada pelo Chile aos vinhos, inclusive para a produção. O país consegue produzir um volume de rótulos tão considerável que precisa ser exportado, já que o consumo no país não é tão grande.

Por isso, o governo ajuda com baixos impostos, também com relação à produção, o que faz com que cheguem ao nosso país com preços realmente atraentes, além de o frete não ter um valor tão impactante quanto o dos produtos europeus e da Oceania.

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É preciso mencionar, também, o fato de, por integrar o Mercosul, o país não sofrer incidência do imposto de importação sobre seus produtos quando exportados para o Brasil.

Alterações mapa vinícola Chileno

A mudança começou a se tornar mais robusta em 2011 e foi incorporada, de fato, pelo Ministério da Agricultura chileno em setembro de 2012. Nessa mudança, pela primeira vez, houve uma divisão de leste a oeste do país e passou-se a usar os termos: Andes, Entre Cordilheiras e Costa.

O objetivo é evidenciar a diversidade do terroir chileno. Por exemplo, o Chile possui mais de 4 mil quilômetros de costa e essa condição tem influência direta sobre as uvas cultivadas mais perto do Oceano Pacífico.

Outro exemplo é o Valle del Limarí, 400 quilômetros a norte de Santiago, que possui uma parte na Costa, outra na região Entre Cordilheiras e mais próxima dos Andes. Isso faz com que um mesmo vale tenha terroirs bem distintos e o Chile quis diferenciar isso. Neste ano, quatro novas denominações foram criadas: Apalta, Los Lingues, Lo Abarca e Licantén.

Barreiras naturais, como o Deserto do Atacama e a Cordilheira dos Andes, favorecem a produção. A Cordilheira dos Andes, com sua altura e largura estonteantes ao norte, deu origem ao Deserto do Atacama, considerado o mais seco do mundo.

Essa barreira natural impede a passagem de nuvens que trazem chuvas, mantendo o ambiente árido naturalmente. À medida que vai descendo para o sul, a Cordilheira diminui a altitude e se torna uma belíssima barreira contra ventos excessivos e, consequentemente, previne a existência de doenças e pragas nos vinhedos. Um excelente exemplo é a imunidade à filoxera, que assolou os vinhedos europeus no século 19.

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Outra vantagem é a formação de massas de ar, que garante ventilação controlada, proporcionando maior controle de temperatura, além de evitar geadas e de causar alta amplitude térmica. As horas de sol e de frio em quantidade suficiente dão origem a uvas sãs, com ótima maturação para elaboração de vinhos de qualidade.

Estilo dos vinhos chilenos

Hoje em dia, com tantas técnicas e facilidades de trocas de ideias, os estilos no mundo inteiro são muito variados. É possível degustar no Chile um vinho estilo francês (mais elegante) e também no estilo Novo Mundo (mais encorpado e mais carregado na madeira, com caráter de frutas bem maduras), dos jovens aos envelhecidos.

Principais regiões e uvas

Sem dúvida, o Valle Central é a principal região de produção, que engloba outros quatro vales: Maipo,
Rapel, Curicó e Maule.

Quanto às uvas, a Cabernet Sauvignon é a tinta mais difundida no Chile, com destaque também para Carménère, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Carignan, País, Malbec, Cinsault e Petit Verdot.  Entre as brancas, destacam-se a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Sémillon e Viognier.

Carménère: a emblemática

Com a devastação dos vinhedos da França pela filoxera, algumas variedades foram consideradas extintas naquele país – a Carménère foi uma delas. Porém, ela foi levada ao Chile como Merlot e por muitos anos foi confundida.

Até que, em 1994, o ampelógrafo (profissional que estuda, identifica e classifica vinhas) Jean-Michel Boursiquot fez uma pesquisa genética, comparando os DNAs das variedades e identificou que algumas vinhas conhecidas como de Merlot, eram, de fato, a Carménère. Então, foi em solo chileno que a Carménère foi – descrevendo de modo bem informal – “ressuscitada”.

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Escrito por: Ana Cristina Fulgêncio

Formada em Bioquímica Agrícola e em Viticultura e Enologia, já atuou em vinícolas, desde a elaboração até a venda do produto final.