Diário do Winehunter

Vinho VCE: parece, mas não é

04 junho 2018
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Na ProWein, maior feira de vinhos do planeta, pudemos nos aprofundar nos rótulos VCE, provenientes da Comunidade Europeia, e trouxemos um alerta importante. Confira.

Mais um ano, mais uma grande feira com grandes descobertas. A ProWein, em Dusseldorf, na Alemanha, é, sem dúvida, o melhor evento do mundo do vinho, em que é possível descobrir tendências, novos estilos e até mesmo excentricidades nesse universo tão vasto de sabores e opções.

Como de costume, nos rendemos, já no primeiro dia de feira, ao tradicional joelho de porco assado com chucrute. E adoramos, para variar.

Na edição deste ano, nos aprofundamos especialmente nos chamados VCE, vinhos provenientes da Comunidade Europeia. O assunto é delicado. Esses vinhos estão se disseminando agressivamente pelo Brasil por serem considerados barganhas, vendidos a preços muito baixos. Isso não seria um problema se tais rótulos trouxessem informações reais aos consumidores, o que não acontece.

Há vinhos apresentados como franceses, com Denominação de Origem, quando, na verdade, são produzidos com uvas cultivadas em qualquer parte da Europa – Airén e Tempranillo, pelo que vimos, são
as mais utilizadas.

Porém, grande parte dessas uvas é cultivada no Leste Europeu e usada na elaboração de exemplares cujos produtores sequer sabem de que variedade se trata.

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Por não serem regulamentados, realmente não sabemos a procedência exata desses vinhos e nem sempre estaremos a par do que há dentro das garrafas – nem, muito menos, sobre como foram elaborados. E como a maioria dos exemplares traz nos rótulos a indicação de que foram engarrafados na França, o risco de confundir o consumidor é ainda maior.

Pudemos experimentar vinhos de diversos lotes, com qualidades diferentes, definidas de acordo com cada mercado. O mais preocupante: a qualidade do lote oferecido ao Brasil pelos fornecedores era muito inferior ao padrão ofertado
à Inglaterra, por exemplo.

Se você se horrorizou, continue até o fim deste artigo. Após a definição do lote, o comprador pode escolher dentre várias opções de rótulos com estilo francês. E mais: com o modelo Château que ele julgar mais bonito e elegante.

Vimos até casos desses líquidos VCE serem vendidos comumente em garrafas PET nos supermercados, destinados ao uso culinário, mas também ofertados em garrafas bordalesas de vidro e… exportados para o Brasil.

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Por isso, todo cuidado é pouco ao comprar vinhos. Para não cair em enrascadas, leia com atenção os rótulos dos vinhos franceses, que trazem indicações sobre a qualidade dos exemplares, como mostramos a seguir, em ordem decrescente:

AOC (Appellation d’Origine Contrôlée)

Denominação de Origem Controlada, que indica vinhos de qualidade superior, produzidos em determinada área, de acordo com métodos estabelecidos.

IGP (Indication Géographique Protégée)

Indicação Geográfica Protegida, categoria antes conhecida como Vin de Pays, para vinhos de boa qualidade, que obedecem a determinados critérios de avaliação.

VDF (Vin de France)

Substitui o antigo Vin de Table, que designa os exemplares mais simples, para consumo imediato.

Diante dessas informações, fique atento: VCE não é uma categoria. E assim, vamos continuar na busca por vinhos excelentes, com origem e rastreabilidade, para oferecer sempre os melhores exemplares a você, pois preço baixo não justifica má qualidade. Até a próxima!

Escrito por: Vicente Jorge

Winehunter, já lecionou em cursos de sommelier e tem mais de 22 anos de experiência no mundo do vinho.