Diário do Winehunter

Vida de Winehunter – Momento relax

29 novembro 2017
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Desta vez, fizemos uma visita despojada às principais classificações de vinho da França. Confira nossos destinos!

A ideia de registrar divertidas meias em fotos nas regiões vinícolas mais famosas do mundo foi pensada a fim de dar um ar despojado e relaxante aos cliques, desmistificando qualquer sugestão esnobe que os vinhos possam ter. Acreditamos que os vinhos devam ser assim.

Aqui, em Bordeaux, há diversas classificações de vinhos, como os Premiers Grands Crus Classés, que ficam à margem direita, em Saint-Émilion, onde foi feita uma classificação em 1955.

A outra mais conhecida é a de 1855, que foi criada somente para os vinhos da margem esquerda, no Médoc. Essa classificação foi elaborada em cinco níveis de qualidade: do 1º Grand Cru ao 5º Grand Cru, de onde saíram os 5 Premiers Grands Crus. Desde então, isso nunca mudou.

Aproveitamos o privilégio de sermos convidados todos os anos a degustar os principais Grands Crus Classés para dividir com vocês as curiosidades de cada château. Não podíamos deixar de registrar esses ícones com vocês junto às meias coloridas, como parte do projeto Winehunter relax. Começamos a jornada em Pauillac.

Château Latour

O Château Latour, Premier Grand Cru Classé du Médoc, de 1855, é um dos três representantes da denominação de Pauillac elegível para essa classificação. O nome vem de uma torre que originalmente era parte de fortificações do século 14, quando as primeiras vinhas foram plantadas. Ela era quadrada e foi destruída ao longo do tempo. A atual torre, redonda, é apenas um pombal construído no início do século 17.

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Desde 2012, o château decidiu sair da bolsa dos vinhos de Bordeaux, ou seja, não vende mais os vinhos em primeurs – vinho do ano que ainda está em elaboração e será vendido no mercado dois anos depois. Registramos nosso Winehunter relax durante a semana dos primeurs deste ano (foto acima, em destaque).

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Château Lafite Rothschild

Chegamos ao segundo Pauillac, o Château Lafite Rothschild. A partir de 1716, o marquês Nicolas-Alexandre consolidou e melhorou as técnicas vitícolas e promoveu o prestígio dos grandes vinhos no mercado estrangeiro e, principalmente, na corte de Versailles.

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O vinho de Lafite recebeu o título de “vinho do rei” com o apoio do Marechal Richelieu que, em 1755, quando foi nomeado governador de Guyenne, consultou um médico que prescreveu esse vinho. O Château Lafite passou por mãos holandesas antes de ser adquirido pelo barão James de Rothschild, em 1868. O nome ganhou o título dos proprietários Barons de Rothschild. Hoje, chama-se Château Lafite Rothschild.

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Château Mouton Rothschild

A sala de barricas do Château Mouton Rothschild, o “chai”, impressiona pelo alinhamento perfeito das barricas.

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A propriedade passou a pertencer à família Rothschild a partir de 1853, época em que o barão Nathaniel de Rothschild tinha o hábito de servir seu próprio vinho aos amigos. Em leilão, ele comprou o Château Brane Mouton e rebatizou a propriedade.

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Devemos a ele a menção “mise en bouteille au château (ou a la proprieté)”, que garante a qualidade e origem do vinho. Em 1855, a classificação ocorreu durante a exposição universal em Paris. O Château Mouton Rothschild saiu em 2º Grand Cru Classé e, em 1973, na única revisão dessa classificação, consagrou-se como 1º Cru Classé. Nessa ocasião, o lema passou a ser: “Premier je suis, second je fus, Mouton ne change”.

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Château Haut-Brion

Em direção a Pessac, cidade colada a Bordeaux, seguimos nossa degustação no Château Haut-Brion. Em 1987, a denominação passou a se chamar Pessac-Léognan, junção dos nomes de duas cidades, para diferenciar a qualidade dos Graves do norte e do sul.

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A cultura da vinha nesse local remonta ao século 1, a primeira marca de luxo conhecida através do mundo. O château foi construído em 1525 e passou por vários proprietários. Em 1935, a família Dillon, dos EUA, adquiriu a propriedade. Em 1968, a bisneta casou-se com o príncipe Charles de Luxemburgo, descendente direto do rei Henri IV e, hoje, o filho e príncipe Robert de Luxemburgo. Em 1959, na Classificação dos Graves, ele é colocado no topo como 1º Grand Cru Classé – o único que alcançou a primeira posição em duas classificações.

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Por isso, o Vicente Jorge escolheu a meia preferida dele para registrar o Winehunter relax.

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Château Margaux

Descemos em direção a Bordeaux até a denominação Margaux. Conhecida desde o século 7 sob o nome de La Mothe de Margaux, a propriedade ainda não possuía vinhas. Em 1672, a família de Lestonnac conseguiu reestruturar a propriedade e o vinhedo.

 

A safra de 1771 é o primeiro “claret” (nome dos vinhos de Bordeaux na época) a aparecer no catálogo da famosa casa de leilão Christie’s, em 1776. Em 1801, o Marqués de Colonilla adquiriu a propriedade e construiu o château que existe até hoje.

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Em 1977, o château é comprado por André Mentzelopoulos, que reestrutura o vinhedo e revitaliza a propriedade. Ele falece em 1980 antes de apreciar o renascimento do lugar. Hoje, sua filha Corinne continua esse desafio.

Em abril de 2016, estivemos lá para degustar os primeurs 2015 alguns dias antes da morte de Paul Pontallier, o diretor-geral do château. Dedicamos a ele esta coluna.

Escrito por: Manu Brandão

Winehunter, francês e nativo de Bordeaux com mais de 25 anos de experiência no mundo do vinho.