Diário do Winehunter

O mundo do vinho

02 Abril 2018
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Hoje resolvemos falar um pouco sobre alguns temas do mundo do vinho que despertam a curiosidade de muita gente que é apaixonada por nossa bebida favorita. Olha só!

Não temos somente viagens e degustações para contar. Também temos que compartilhar um pouco de dicas e informações. Desta vez, decidimos relembrar e repassar alguns pontos que achamos interessantes, tanto em geral como especificamente no Brasil.

Vinho Bio ou Orgânico

Temos uma tendência crescendo bastante que é o vinho bio, biodinâmico e orgânico. Porém, não é sempre que conseguimos importar esses exemplares para o Brasil, sobretudo por causa da legislação brasileira. Funciona assim: para ser reconhecido como bio, o vinho tem que ter registro brasileiro há, pelos menos, 20 anos e também ter certificação internacional.

O processo de registro no Brasil demora cerca e 2 anos e tem um custo relativamente alto. Por isso, nós só vendemos rótulos já registrados no país, como o Le Canon Du Maréchal, do Domaine Cazes, o primeiro exemplar francês orgânico e biodinâmico certificado no Brasil. Aliás, essa vinícola é o maior produtor de vinhos biodinâmicos da França. Quando o degustamos, em 2015, tivemos que esperar dois anos para conseguirmos importá-lo.

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Vinho Natural

Para ser considerado vinho natural, a bebida deve ter sido produzida com o uso mínimo possível de produtos químicos, aditivos e fertilizantes artificiais, como pesticidas e enxofre. Além disso, a uva deve ser orgânica e biodinâmica. Lembrando que é uma escolha filosófica para encontrar a expressão natural do terroir e não existe ainda uma legislação oficial.

Para ser realmente natural, o vinho deve continuar na adega até o engarrafamento. Um fato polêmico é que ele não deve ter adição de sulfitos ou com máxima de 30 mg/l para os tintos e 40 mg/l para os brancos. É controverso simplesmente porque o sulfito ajuda a conservar a bebida durante o transporte.

Com nossa experiência enviando diversos vinhos naturais para o Brasil, o indicado é que se consuma rótulos que sejam feitos o mais próximo do país, já que sem o sulfito, eles podem sofrer muitas alterações durante a viagem.

Pontuação

Esse é um caso complexo no mundo do vinho. O consumidor não compreende tão bem as pontuações. Os próprios produtores, muitas vezes, aproveitam a pontuação de uma safra para vender uma que não foi pontuada, sem explicar os critérios que foram usados.

Claro que um vinho pontuado ajuda a vender, mas essa não tem que ser a razão principal. O mais importante é sempre a qualidade do produto. Uma vez aconteceu um episódio que nos marcou. Degustamos um vinho que tinha uma boa pontuação de um critico renomado que não posso falar. Rs. O vinho estava realmente bom e adequado ao que procurávamos e, por isso, acabamos fechando a negociação de uma grande quantidade para um dos nossos clubes.

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Só que, após verificar direito, percebemos que a quantidade produzida informada no site do crítico era muito inferior a nosso pedido. Outro ponto importante é que nunca se pode comparar vinhos com pontuação que não sejam do mesmo país, mesma região, mesma denominação. A pontuação tem uma quantidade imensa de critérios.

Esse assunto será tratado por nós ainda, mas não sei quando porque é muito confuso e complexo e devemos ter cuidado de não confundir ainda mais. Na nossa degustação, sempre tentamos não saber se tem pontuação. Focamos mais na bebida. Às vezes, temos a agradável surpresa de selecionar um vinho e depois de alguns meses descobrirmos que ele é premiado.

Vinhos do Mercosul e resto do mundo

Muitas vezes, nos perguntam do porquê dos vinhos argentinos e chilenos são mais em conta do que os de outros países. Há vários motivos, é claro, como legislação, custo de produção, custo do transporte, por exemplo. Mas a razão mais relevante é o imposto diferencial dos rótulos do Mercosul.

Para você ter uma ideia, um vinho do mesmo produtor, como Miguel Torres do Chile e Miguel Torres da Espanha, terá mais ou menos uma diferença de 30% a 35% de custo.

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Vinhos seco ou meio seco

Esse ponto é importante saber porque, muitas vezes, temos vinhos que no contrarrótulo estão classificados como vinhos finos de mesa meio secos e alguns dos nossos clientes questionam porque não avisamos que o vinho era meio doce. O fato é que esses exemplares não são doces, sendo classificados como secos no país de origem. Porém, cada país tem sua própria legislação e, quando vem para o Brasil, precisa se adequar à lei brasileira.

A classificação para vinhos se baseia no teor de açúcar residual natural da uva em g/L. A legislação brasileira estipula que, para o teor de açúcar até 4g/L, o vinho é seco. Já a classificação da Organização Internacional do Vinho indica que o vinho seco contém 4g/L de açúcar, no máximo, ou 9g/L quando o teor de acidez total não é inferior a mais de 2g/l no teor de açúcar.

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Isso justifica algumas vezes ter um vinho como meio seco sendo seco no país produtor. Temos algumas vezes a oportunidade de discutir com membros de organizações vitícolas da Europa para comentar esse assunto e ver as possibilidades.

As diferentes classificações dos vinhos na Europa

Existe diversas classificações de vinhos na Europa, seja na Itália, na Espanha, em Portugal ou na França para falar dos mais conhecido. Na Europa, a regulamentação foi simplificada em 2009 para todos os países da união. Temos os vinhos AOP ou (AOC para a França ou DOC para Itália), temos IGP (Indicação Geográfica Protegida) ou IGT ou “Vin de Pays” e os vinhos de mesa “Vin de table de France”, que podem ser elaborados com uvas produzidas em qualquer região da França.

O “Vin de la communauté Européenne” pode ter uvas de qualquer lugar da Europa e geralmente não dos países tradicionais como França, Itália, Espanha, Portugal.

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Diferença nas seleções

Muitos sites que vendem exemplares costuma selecionar rótulos que tenham assinatura de alguma figura conhecida no mundo do vinho, facilitando assim a indicação. No caso da Wine, nós, os Winehunters, selecionamos vinhos que tenham a ver com o paladar do consumidor de cada clube, por exemplo, permitindo uma experiência mais agradável. Isso porque sabemos o estilo esperado de cada um e, ainda, podemos prever a evolução dos paladares.

Em contrapartida, temos cada vez mais solicitações de diversos produtores para elaborar vinhos especificamente feitos para o Clube Wine e o mercado brasileiro. Geralmente, a gente recusa porque não conseguimos acompanhar e controlar todo o processo que garantiria a seleção feita. Mas temos alguns casos de parceria que deram certo como, por exemplo, o Toro Loco Barricas & Tinajas.

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Vinho brancos e rosés

Os brancos e rosés não são necessariamente para os clubes Refrescantes. A gente seleciona vários tipos de rótulos para agradar aos mais diversos paladares. Existem muitos brancos frescos, mas também há os gastronômicos, os mais encorpados.

As pessoas preferem os tintos por, muitas vezes, não saberem como aproveitar um branco ou rosé. Mas a gente garante que vale muito a pena desbravar esse tipo de vinho também, para ter uma experiência ainda mais completa. Na foto abaixo, a viagem incrível que fizemos com os Sócios Wine que ganharam a promoção de aniversário de 2016.

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Escrito por: Manu Brandão

Winehunter, francês e nativo de Bordeaux com mais de 25 anos de experiência no mundo do vinho.