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Vinho Reserva e Vinho Reservado

06 julho 2018
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Provavelmente, você já se perguntou ou conhece alguém que tenha dúvida sobre a diferença entre vinho Reserva e Reservado. Confira o que significam esses termos.

É comum encontrarmos em rótulos de vinhos termos como Reserva e Reservado. Mas você sabe o que eles representam?

O primeiro ponto sobre esses termos, é que isoladamente eles não representam uma garantia de qualidade. Outro ponto importante é em relação à definição de cada um, que pode ser diferente entre os países produtores de vinho e também entre regiões vitivinícolas de um mesmo país.

Vinho Reserva

Já o termo Reserva possui definições muito diferentes, que podem mudar entre países e regiões vitivinícolas. Em países da América do Sul, como Chile, Argentina, Uruguai e Brasil, não existe regra ou legislação que limite a utilização desse termo nos rótulos dos vinhos.

Como a utilização do termo Reserva nesses países é livre, alguns produtores usam para sinalizar o amadurecimento em barricas de carvalho, sendo que o tipo de barrica e o tempo muda de uma vinícola para outra, outros utilizam para expressar o tipo de colheita ou uma linha de vinhos acima da categoria Reservado, por exemplo.

Enfim, existe uma infinidade de motivos que levam os produtores de países sul-americanos a colocar o nome Reserva em seus vinhos.

Nesses países, também encontramos termos como Reserva Especial, Reserva Privada, Gran Reserva, entre outros, mas nenhum deles, assim como Reservado e Reserva, possuem qualquer regra ou legislação. Na grande maioria dos casos, são utilizados para diferenciar o tempo de amadurecimento em barricas de carvalho entre as linhas de vinhos da vinícola.

Assim como na América do Sul, países como os Estados Unidos e Austrália também não possuem regras ou legislação para a utilização desses termos, diferentemente de alguns países da Europa, que possuem legislações bem definidas, com regras e especificações rigorosas, que podem mudar de acordo com a Denominação de Origem.

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Nos países europeus, o tempo de amadurecimento é uma das principais características ligadas à utilização desses termos, mas fatores como tipo de colheita, graduação alcoólica mínima e detalhes no processo de vinificação também são especificados.

Na Espanha, de uma forma geral, o termo Reserva é encontrado nos rótulos de vinhos tintos que possuem um amadurecimento de três anos, sendo que no mínimo um ano deve ser em barricas de carvalho.

Já os brancos rotulados como Reserva possuem um amadurecimento de dois anos, sendo que no mínimo seis meses devem ser em barricas de carvalho.

Vale lembrar que essas especificações de tempo mínimo de amadurecimento podem ser diferentes entre as Denominações de Origem espanholas. O mesmo conceito também é executado para o termo Gran Reserva que, na Espanha, na maioria dos casos determina um amadurecimento de cinco anos, sendo que, no mínimo, dois anos devem ser em barricas de carvalho.

Na Itália, as especificações para a utilização do termo Reserva mudam bastante de uma Denominação de Origem para outra. Em Chianti, por exemplo, um vinho Chianti Classico Riserva deve amadurecer dois anos, sendo que, no mínimo, três meses precisam ser em garrafa. Já um Barolo Riserva deve amadurecer 62 meses, sendo que no mínimo 18 meses devem ser em barricas de carvalho.

Já em Portugal, a utilização do termo Reserva é tida como facultativa na legislação. Referências como Colheita Selecionada, Escolha, Reserva, Reserva Especial, Superior, Grande Reserva também podem ser utilizadas para determinar as linhas de vinho de um produtor, além do tempo de amadurecimento do vinho.

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De forma geral, a ordem crescente de complexidade dos vinhos seria: Reservado, Reserva, Reserva Especial, Gran Reserva.

Vinho Reservado

O termo Reservado é muito encontrado em vinhos produzidos nos países da América do Sul, principalmente o Chile, mas não existe nenhuma regra ou legislação nesses territórios sobre o uso desse termo nos rótulos, ou seja, o produtor tem total liberdade para utilizá-lo.

Os vinhos que trazem esse termo estampado no rótulo possuem um estilo fácil de beber e são indicados para o consumo do dia a dia. Esses exemplares não possuem complexidade de aromas e sabores, na grande maioria dos casos, não possuem amadurecimento em barricas de carvalho e não são destinados a guarda, ou seja, são vinhos que não devem ser guardados por muitos anos.

Um vinho Reservado não expressa as características do terroir onde é produzido. Normalmente, é produzido em grande escala e têm como objetivo manter suas características independente da safra.

Nada é exigido para os vinhos Reservados como, por exemplo, o processo de vinificação, o tipo e o tempo de amadurecimento ou a classificação quanto ao teor de açúcar. Diante dessa liberdade dos produtores, alguns utilizam esse termo para identificar os seus vinhos mais simples entre suas linhas de produção, ou seja, os vinhos de entrada.

Então, esse termo não está ligado à qualidade, mas sim ao estilo e a proposta do vinho. São exemplares bem feitos, produzidos, em sua maioria, com uvas de diferentes vinhedos ou vinhedos mais extensos, e colhidas de forma mecânica.

Mas independente dos termos e de como eles são determinados em cada país, o mais importante é sempre degustar o vinho que mais agrada o seu paladar e que nos proporciona momentos de felicidade.

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Escrito por: Nicole Batista

Sommelière e Bacharel em Química, fez imersão em algumas regiões vitivinícolas da Europa e América do Sul.